domingo, outubro 07, 2007
quarta-feira, agosto 15, 2007
Se o amor tiver um rosto...
BUM,BUM KALASHNIKOV
Uma vez ou outra apetece-me fazer uso de uma AK-47, coronha reversível, vulgo kalashnikov, é que há pra aí safardanas aos magotes a infernizar a vida de gente direita e com propósitos honrados. Como tal não se afigura possível, vem a lume uma receita para a pilantragem de más rés, desse coimbrão de seu nome Assis Pacheco, Fernando. Então, reza assim...
“...Quando o Padeiro Velho de Casdemundo teve a certeza que Manolo Cabra lhe desfeiteara a irmã, em dois segundos decidiu tudo. Nessa mesma noite matou-o de emboscada, arrastou o cadáver para o palheiro e foi acender o forno com umas vides que comprara para as empanadas de San Bartolomé. O irmão do meio encarregou-se de cortar a cabeça ao morto. O Padeiro Velho amanhou-o e depois chamuscou-o bem chamuscado. Às duas da manhã untou o cabra de alto a baixo com o tempero, enfiando-lhe um espeto pelas nalgas...”
Podem invejar tamanha façanha, eu também invejei. Não seria possível despacharmos “assuntos pendentes” com a ajuda ficcional do Homem?
sexta-feira, agosto 03, 2007
Respigar...
Em tempos de realidade fragmentada
Olho para aquilo que faço (quase) todos os dias
o borrão dificilmente se clarifica
Olhos vazios, olhos em meia-lua,
farrapo de uma vida curta,
aos bocados,
descontínua, sim, descontínua
Torta, desavinda
de costas,
por teimosia do destino,
ou pelo laborioso ardil
de um cruel artíficie
O borrão engana, dificilmente se clarifica
O Homem (a criança) vibra sob uma voz
frágil
diria, com muitos acordes dissonantes
no limite,
desafinada
A angústia resolve explodir
cansou-se de existência bolorenta
agora afirma-se com nome próprio
muito feio, por sinal
Alopécia
O pensamento corre, corre
desgovernado,
digo martelo
dizes atoinado,
ONDE ESTÁS...?
Ergue-se o muro
fechas todas as portadas
as vozes ficam deste lado
tu desenvolveste
um sofisticado sistema
de comunicação.Silêncio.
O corropio e o frenesim
entraram agora neste espaço
de mãos dadas
Digo STOP
o não reconhecimento
PARAR = PENSAR
O borrão continua borrão. Mancha preta
A resposta é respigar. É isso que faço
(quase todos os dias)
boneco playmobil, família disfuncional
bola de futebol, fazer escorregar o sofrimento
caracteres do word, o vislumbre do fantasma
nomeado
Respigar por aqui ou por acolá?
Escolhas. Muitas dúvidas
Oficina de carros,
a continuidade possível
desenhar ou rabiscar
é isso
autonomia ou dependência
Disseste crescer?
Braços, pernas,
uma cabeça,
par de olhos e nariz,
falta a boca, mais
umas tantas ideias,
está feita a nossa respiga de hoje.
Um boneco de olhos meia-lua feito gente. Criança
Vivo da respiga. Não é coisa que dê lá muito dinheiro ou preciosa satisfação.
Mas sou assim, um perdido por respigar.
terça-feira, julho 17, 2007
sexta-feira, junho 29, 2007
domingo, junho 17, 2007
quarta-feira, junho 13, 2007
terça-feira, maio 01, 2007
Abraço colectivo
Olivais, cercanias da velha igreja,
Figura estranha, voz arranhada, olhos doces, próximos de toda a gente. Chama-se Arlete, é a nossa professora de uma disciplina de Opção – Dinâmicas de grupo. Uma roda de gente, Pedro deitado na praia, Pipa a remexer no cabelo da futura presidente Mara, a Anita a espreitar para um outro lado da sua formosura, hipnose, é o que eu chamo a isto. Hipnose, só pode ser. Ou então, uma charlatã de uma dessas coisas obscuras. Quem é mesmo esta senhora ??? O que é que viemos aqui fazer??? Isto é um curso de enfermagem, não é lugar para estas coisas imprecisas. Vá, vamos embora, Psst, Psst…Não queres vir, NÃO!!!...
as costas de um centro paroquial,
Pintar um cartaz com as nossas imagens, as nossas referências !!!! Ah, sim, já percebi. Estamos num atelier de expressão plástica. Muito bem, quantos cursos superiores estão cheios de coisas inúteis. Mas porque é que toda a gente está a sorrir, tanta espontaneidade, e cores várias a dar forma a esse papel pardo. Desculpa, sei que não tenho jeito nenhum para isto, não, não vale a pena, trago muito peso lá de fora, o pincel pesa demais nesta mão direita. É quase uma inaptidão…..Apetece-me deitar, juntar-me ao chão, talvez segurar no lápis de carvão, um azul, e outro verde, alguma coisa há de sair…Não sei se consigo disfarçar este prazer, alguém estará a reparar??? Aquela presença, o seu olhar.
Fábricas, carrinhas brancas cheias de mercadoria
Estamos tão próximos, sinto a tua pele, sinto-te a pulsar. Estás calma, e tu também, suas muito das mãos, que tal soltar a mão, já percebi, não queres romper o cordão. Mãos dadas, o olhar do outro, uns muito malandros cheios de reviengas, outros a pedir colo, muito moribundos, aquele está muito nervoso, será da presença dela, não sei. Outra a vez a fazer coisas sem sentido, tem mesmo que ser assim? Agora são os braços que se tocam, se cruzam, ficamos em nó. Aparentemente indissociável. Estamos juntos, é só isso que se exige. Muitos braços em roda e o silêncio. Porreiro. Estás sempre aí, aparentemente de fora em observação, mas não consegues evitar colocar-te dentro, no meio, ao lado. Estás aqui. Estás.
Gentes da faculdade, o olhar cabisbaixo do Sr.Ramos, o coração amanteigado no dizer da Dona Aurora, um outro coração susceptível, no meu dizer.
Estou deitado, braços firmes junto ao tronco. Espero. Sinto o toque. Dedos a fazer piruetas na minha cara bolachuda. Coreografia de prazer, proximidade. Quantos bailarinos pisam assim o meu rosto?? Coisa boa demais, confesso no meu outro sotaque. Continuem, não parem, continuem, não se vão embora, acomodem-se. Por favor, eu apelo à Prof.Arlete, por favor, queiram parar eternamente no meu rosto.
estava encontrada a capela mortuária
O centro da roda. Um duelo, as armas, as nossas vidas. Cadeiras, corpo empurrado à frente, o meu discurso cheio de bolor, a ultrapassar claramente o prazo. O passado. Não, não, não, não, quero falar disso. Já posso sair, ainda tenho que ficar mais, porquê a vossa cara assustada, meus colegas, meus amigos. Tenho que acabar com isto. Não quero falar mais, não quero. Dizes-me enfim alguma coisa. Gastei todos os cartuchos. Ficam as tuas palavras, fica a tua companhia, a impressão que não estava a falar pró boneco. Continuas aí, obrigado. Talvez tenha sido bom disparar umas quantas balas.
a névoa, os contornos do ritual instituído, o corpo coberto
Ninguém quer aceitar o final das suas aulas, nem mesmo eu. Falas do grupo, das pessoas, de como podemos estar na vida de uma outra forma. Desejas que sejamos bons enfermeiros, palavras de circunstância, ainda assim, as tuas palavras. Urge fazer qualquer coisa, meus amigos, seguramente estão a sentir o mesmo que eu. Sim, é isso, ABRAÇO COLECTIVO. No uso de uma outra linguagem, diria que estamos em estado fusional. Massa de betão. Qualquer coisa de indivisível. Eta, coisa boa. Deixa-me encostar a cabeça. Tão bom. Quentinho.
As minhas lágrimas, uma pessoa transformado em legado, o abraço. Para sempre.




